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Paisagem da Vinha da Ilha do Pico
Património Mundial da Humanidade
A paisagem da cultura da vinha na ilha do Pico passou no dia 02 de Julho de 2004 a ser Património Mundial, após a aprovação da candidatura pela agência das Nações Unidas UNESCO numa reunião na cidade japonesa de Suzhou!
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Do nada, criar
Da pedra, supostamente inerte
FAZER NASCER VIDA |
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Que tarefa ciclópica de gerações, a de desbravar a pedra e a terra, a de conseguir subsitir, a de encontrar o sustento. De plantar, de lutar contra o tempo, de colher. E depois, o de encontrar momentos de prazer, juntar amigos, vencer a solidão.
O que sentiram a mulher e o homem do Pico, ao tentarem desbravar a sua ilha? Procurar o espaço, onde a toiça possa vingar, Dar-lhe sol, tirar-lhe o vento. Esconder o sal que vem do mar.
Proteger a vinha, a pulso e a sangue, com a pedra. A própria pedra que a faz sufocar.
Afinal criar rendas, rendilhados que são paisagens. Mantas que se interligam com as lavas e com o verde da vegetação. E a fuga à solidão, que surge através de núcleos construídos, também negros, mas pontuados de vermelho e verde.
As vinhas que produzem o vinho do Pico, eram e são plantadas nas fendas existentes em finas bancadas de basalto, o que confere à paisagem daí resultante um carácter único. Como já foi referido anteriormente, com árduo labor e muito esforço o Homem introduziu bacelos numa vastidão de rocha negra e dura, até então considerada totalmente improdutiva. Devido à ocorrência de ventos fortes provenientes de todos os quadrantes e ao rossio do mar, foram elevados muros de abrigo com a pedra basáltica retirada do próprio local, que deram origem a uma estrutura reticulada, planeada para tirar o máximo proveito do terreno e para facilitar o transporte e armazenamento das colheitas, bem como o escoamento do produto final.
Simultaneamente à cultura da vinha, foi sendo construído um diversificado património edificado, constituído por solares, adegas, armazéns, poços de maré, rola-pipas, portos, casas conventuais e ermidas, entre outras estruturas, todas elas reflectindo as vivências do quotidiano de uma população de dicada ao trabalho árduo da viticultura.

Os vinhos de excepcional qualidade aqui produzidos, obtidos principalmente a partir da casta verdelho, alcançaram os quatro cantos do Mundo e desempenharam um papel relevante na economia do Pico.
Ainda hoje, esta paisagem é vivida por uma população que se orgulha do seu passado, mantendo muitos dos rituais e técnicas ancestrais, defendendo com a sua presença este vasto património arquitectónico e natural.
Toda a documentação é propriedade da Secretaria Regional do Ambiente
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