Vila e Freguesia de São Roque do Pico
À medida que a ilha vai crescendo em população. João III, a 10 de Novembro de 1542, cria o novo concelho de São Roque do Pico, com o nome de Vila Nova de S. Roque.
Os primeiros tempos da sua existência decorreram sem sobressaltos dedicando-se os seus habitantes ao cultivo e exportação do trigo e pastel. Este viver, um tanto à margem da história, foi interrompido pelas erupções vulcânicas que, desde o séc. XVI, alteraram a paisagem do concelho, dando origem a curiosas extensões de lava negra, a que o povo pela grande religiosidade que lhe é peculiar, dá o nome de Mistérios.
São Roque do Pico é uma vila com cerca de 500 anos de história, cujo porto, no Cais do Pico, esteve inteiramente ligado à actividade baleeira. Hoje a economia local está principalmente ligada à criação de gado; carne, leite e seus derivados, tudo isto exportado pelo porto comercial de S. Roque, datado da década de setenta, que é também a porta de entrada do turismo marítimo, principalmente das Ilhas do Triângulo e também da ilha Terceira.
Os transportes marítimos não têm mãos a medir por altura das festas do concelho, Cais Agosto, no início do mês com o mesmo nome, conhecidas e reconhecidas pela oferta de grandiosos concertos para todas as faixas etárias, com especial destaque para a juventude.
Contrariamente ao que era tradicional, a festa da Senhora do Livramento, padroeira dos marítimos, tem sido celebrada por altura das festas do concelho.
O concelho de São Roque tem sede na vila do mesmo nome, constituída pela freguesia da Matriz de São Roque onde se celebra a 16 de Agosto a festa do padroeiro, S. Roque, que é também feriado municipal.
Para além desta, o concelho abrange também as freguesias de Santa Luzia, Santo António, Prainha e Santo Amaro.
A Igreja Matriz, dedicada a São Roque, foi reedificada em 1776 sobre um templo mais antigo. No interior, podemos apreciar altares em talha dourada, imagens religiosas dos séculos XVI a XVIII, uma estante em madeira de jacarandá com embutidos de marfim e um lampadário em prata oferecido pelo Rei D.João V (séc. XVIII). A Igreja e Convento de São Francisco de Alcântara remontam ao século XVIII. Edifício barroco, apresenta uma interessante fachada com torre sineira e arcos. No seu interior encontramos valiosas talhas douradas e imagens de santos. À semelhança do das Lajes, este convento foi sede de todas as repartições públicas bem como do ensino local. Lá funcionou o Externato Particular até à criação do Ensino oficial, já no edifício a isso destinado.
Uma das actividades do povo desta vila foi a caça à baleia, que constituía o mísero sustento de muitas famílias. Os baleeiros levavam o azeite para o Faial e trocavam-no pelo milho com que alimentavam a família. O dia de fazer as contas da baleia era esperado como quem esperava por Deus!.
O Museu da Indústria Baleeira está instalado na antiga Fábrica das Armações Baleeiras.
Neste museu pode-se observar os apetrechos e equipamentos usados no aproveitamento e transformação daqueles cetáceos. É também utilizada como local de exposições de fotografias e outros trabalhos que enriquecem culturalmente o concelho/ilha.
A Lagoa do Capitão, no planalto interior, é um lugar de grande beleza, envolto pela flora endémica da ilha. A Lagoa do Caiado, situada no planalto central da ilha integra-se num núcleo de pequenas lagoas envoltas pela vegetação primitiva.
Há ainda a salientar o Mistério da Prainha (Reserva Natural), a Baía das Canas, na Prainha e o Miradouro da Terra Alta, em Santo Amaro , onde se avista a costa sul da vizinha ilha de São Jorge. Aqui os visitantes descansam o seu olhar na imensidão do mar e deliciam os seus olhos na verdura dos seus campos.
Este Concelho foi berço de destacadas figuras, nos mais variados campos: Machado Serpa, o político Manuel José da Silva, o distinto professor Dr. Gabriel Simas, o Coronel Linhares de Lima, entre outros.
Exerceram cá a sua actividade, os distintos médicos Dr. José Prudêncio Teles e Dr. Tibério Ávila Brasil a quem muito devem todos os picarotos.
Foi também o local escolhido por Almeida Firmino para exercer a sua profissão, para casar e até para morrer.