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Crónica
Uma Picarota em São Miguel
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"A solução das barraquinhas solidárias"
Há dois anos, pelo Cais Agosto, uma família resolveu organizar uma barraquinha solidária com o objectivo de angariar fundos para os tratamentos de uma menina detentora de paralisia cerebral distónica.
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A doença havia lhe sido diagnosticada com poucos anos de vida e, não havendo muito a fazer nos Açores nem em Portugal, a mãe começou a investigar na Internet possíveis tratamentos para a filha.
Encontrou em Cuba a CIREN, uma clínica especializada em neurologia infantil e informou-se dos preços das várias terapias, sempre ciente de que a paralisia cerebral diagnosticada na sua filha, não tem cura, mas os seus efeitos podem ser colmatados, e um dia a Inês pode ser mais autónoma.
A barraquinha Cantinho da Inês, criticada por alguns na altura, deu frutos pois esteve aberta ininterruptamente durante os quatro dias da festa. Aliada a outras iniciativas organizadas, quer pela mãe quer por amigos, conseguiram-se fundos para alguns meses de terapia em Havana.
Salomé e a filha Inês viajaram para Cuba e passaram meses longe dos amigos e familiares. Quando voltaram já se registavam algumas melhorias, principalmente ao nível da mobilidade. Mesmo assim, hoje a menina ainda precisa de ajuda para andar e, embora comunique à sua maneira, não consegue e dificilmente irá falar.
Cada dia é um dia, e Salomé faz questão de experimentar tudo o que tem ao seu alcance para promover melhorias na saúde da sua filha.
Os tratamentos que realizou na CIREN foram possíveis também devido à solidariedade que se gerou à volta da menina. O jornal onde eu trabalhava na altura abriu uma conta solidária e ajudou a promover um espectáculo de solidariedade com a participação de um cantor lírico, Giovanni de Amore, que se ofereceu para cantar pela menina e da pianista micaelense Ana Paula Andrade que o acompanhou. Ofereceu-se para a apresentação do espectáculo Sidónio Bettencourt. A SATA ofereceu passagens.
E tudo isto porque da melhoria das condições de vida da Inês, e de todos os doentes, depende muito dinheiro, e quando ele não abunda é preciso pôr mãos à obra para o conseguir.
Passados dois anos, Salomé, presidente da recém-criada delegação do Pico da Associação Raríssimas (“associação que, porque há pessoas raras, tem a grande responsabilidade de ajudar as famílias a lidar melhor com o problema de descodificar as mensagens e informações, de dar a mão quando tudo parece estar confuso”) resolveu organizar mais duas barraquinhas solidárias para angariar fundos para a colectividade.
Quer no Cais Agosto, quer na Semana dos Baleeiros, a barraquinha da Raríssimas teve grande aceitação, e esteve sempre repleta de clientes que vinham provar um licor, um brigadeiro, uma queijada, ou uma fatia de pizza…tudo oferecido pelos populares.
Apesar dos condicionalismos da vida, Salomé deve sentir-se feliz pela bandeira que enverga. Ela assumiu a presidência da Raríssimas, pois sabe o quão importante é, em primeiro lugar, a “boa saúde” de uma família, para depois se poder lutar pela melhoria da saúde de um filho.
Ao assumir a presidência desta associação ela também assume a importância dos amigos e da sociedade em geral que cada vez mais é importante nestes problemas.
Mas é preciso dinheiro…e portanto, mais barraquinhas virão de certeza, aproveitando as festas de Verão.
Exemplo a seguir, com tantas festas que há para aí!
Márcia Olival da Rosa
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