Durante o Período Terciário extensas áreas de floresta, conhecida como Laurissilva (Laurus – loureiro, Silva – floresta), ocupavam a Europa Meridional e Norte de África. Após as últimas glaciações, e em consequência da característica termo-reguladora do oceano Atlântico, esta floresta confinou-se à região biogeográfica da Macaronésia (ilhas dos Açores, Madeira, Cabo Verde e Canárias) extinguindo-se quase totalmente nas restantes áreas. Devido ao isolamento geográfico e às condições climatéricas evoluíram diferenciadamente originando ecossistemas com enorme diversidade biológica, em grande parte com espécies de flora endémica e com estatuto de protecção. Nos Açores são conhecidas 66 endemismos vasculares endémicos, dos quais 56 existem no Pico.
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Com o inicio da colonização nos finais do séc. XV e a desflorestação para a agricultura e pecuária, bem como a introdução de espécies exóticas infestantes invasoras, principalmente Pittosporum undulatum (Incenso), Hedychium gardnerarum (Roca) e Hydrangea macrophylla (Hortência), o coberto vegetal natural foi progressivamente recuando para os locais mais inacessíveis do interior das ilhas, à excepção de pequenas manchas.
O património natural florístico do Pico caracteriza-se por evidenciar duas zonas distintas. Uma mais costeira e quente até aos 300 m de altitude e outra, acima dos 500 m, mais húmida e fria. Na primeira encontram-se as espécies endémicas Spergularia azorica, Myosotis marítima (Não-me-esqueças), Festuca petraea (Bracel-da-rocha), Lotus azoricus, Azorina vidalli (Vidália), Euphorbia azorica (Erva-leiteira), Corema azorica (Camarinha), Erica azorica (Urze), Juniperus brevifolia (Cedro-da-costa) e Picconia azorica (Pau-branco). Na segunda, também endémicas, Viburnum subcordatum (Folhado), Laurus azorica (Louro), Erica azorica (Urze), Vaccinium cylindraceum (Uva-da-serra), Frangula azorica (Sanguinho), Ilex azorica (Azevinho), Myrsine retusa (Tamujo), Juniperus brevifolia (Cedro-do-mato), Arceuthobium azoricum (Espigos-de-cedro), Prunus azorica (Ginga-do-mato), Euphorbia stygiana, (Trovisco-macho), Sanicula azorica (Erva-do-capitão) e Woodwardia radicans (Feto-do-botão).